28/10/2016 - 03h10

A pesquisa que alimenta a inovação no setor industrial

Trabalhar com pesquisa transformou a trajetória profissional de Renan Lorenzi, engenheiro e egresso da UCS. Confira na entrevista. 

Renan Lorenzi, 29 anos, mestre em Engenharia e Ciência dos Materiais, é engenheiro de produtos da Tecnovidro, empresa especializada em beneficiamento de vidro para a indústria moveleira, automotiva, de construção civil, de linha branca e de decoração, com sede em Farroupilha.

- Entre todos os trabalhos de iniciação científica, realizados no período da graduação em Engenharia de Materiais, destaco o realizado no ano de 2009, que tratava da adaptação de um equipamento para ensaios de desgaste de materiais cerâmicos. Com ele, fui premiado no Encontro de Jovens Pesquisadores da UCS e tive um incentivo para continuar na linha da pesquisa. Todas as etapas da sua execução foram envolventes e estimulantes diante da possibilidade de aplicar muitos dos conceitos aprendidos no decorrer do curso, além do fato de que, enquanto engenheiro, sempre gostei de ver algo físico e mensurável.


Quando começou a Engenharia de Materiais, Renan Lorenzi não pensava em fazer mestrado. Essa vontade veio aos poucos, durante as atividades de iniciação científica:


- Nos últimos semestres, eu já tinha certeza que esse era o caminho certo a seguir, tanto que terminei a graduação em julho de 2010 e, em agosto, já estava matriculado no mestrado em Ciência e Engenharia dos Materiais, permanecendo na mesma linha de pesquisa, Materiais Cerâmicos, com a orientação do professor Cláudio Perottoni – explica.
Com uma bolsa de estudos do CNPq, Renan trabalhou no projeto intitulado Montagem de um dispositivo para espectroscopia de ressonância de ultrassom e aplicação na análise da relaxação estrutural da fase amorfa do tungstato de zircônio.  


Terminado o mestrado, Renan optou por trabalhar em uma indústria, onde pudesse continuar exercitando seu espírito pesquisador. Desde 2012, ele atua na área da Engenharia e Desenvolvimento de Produtos da Tecnovidro.

A pesquisa científica aplicada à indústria do vidro.

Trabalhar com pesquisa, abre nossa mente para a infinidade de possibilidades que o mundo proporciona, nos torna críticos, aguça o raciocínio lógico e nos mostra o que outros não veem. Seguindo o exemplo de Thomas Edison, quando somos persistentes as coisas acontecem.
Tendo como matéria-prima o vidro, realizo estudos e projetos com o objetivo de encontrar novas possibilidades de aplicação. São desafios constantes, uma vez que, além da linha automotiva, há um leque de possibilidades se abrindo na linha de eletrodomésticos, em cooktops, fornos e coifas. No entanto, a viabilização de novas soluções para a aplicação do vidro, só se torna possível pela nossa capacidade de pesquisar, criar e inovar. Atitudes que aprendemos a desenvolver enquanto estudantes e pesquisadores.
Ingressar no ensino superior não significa, para ninguém, ter êxito na área ou profissão escolhida, como também participar, assistir ou simplesmente estar presente em uma aula, nos garante apenas conhecer e, provavelmente, dar sequência em tudo o que já foi produzido.  Os estudantes que não se lançam à pesquisa científica acabam apenas conhecendo as teorias existentes e descartam a possibilidade de agregar contribuições ao conhecimento do qual se dispõe até o momento. Se realizarmos um paralelo entre hoje e este mesmo dia dez anos atrás, compreenderemos a importância da pesquisa científica e como ela mudou nossas vidas.
Considerando que a produção sistemática do conhecimento acontece por meio da pesquisa científica, participar de programas que estimulam o ato de pesquisar no decorrer de uma graduação, acaba por se configurar como um importante diferencial em nossas carreiras profissionais.

 

Texto: Conceição Afonso. | Foto: Claudia Velho.

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